Por: Abinoan Santiago
Do G1 AP
A presidente da Federação das Indústrias do
Amapá
(Fieap), Jozi Rocha, classificou a intervenção da Confederação Nacional
da Indústria (CNI) no Sesi e Senai no Amapá como ato 'político'. A
afirmação foi dada em entrevista coletiva nesta quarta-feira (21), um
dia após a equipe de intervenção demitir professores e funcionários da
escola Visconde de Mauá, administrado pelo Sesi, na terça-feira (20).
“Infelizmente, por causa do que aconteceu na nossa escola e com o
andamento dessa intervenção, estou com dúvida se ela realmente não é
política porque é inadmissível professores serem demitidos sem
justificativa. Eu os admiti e vou provar a legalidade”, declarou Jozi
Rocha.
Após realizar auditorias nas contas da Fieap, o conselho nacional do
Sesi e Senai decidiu em 31 de julho pela intervenção nos referidos
órgãos regionais após constatar irregularidades administrativas,
financeiras e operacionais. Com a decisão, desde 5 de agosto o diretor
adjunto do Senai Nacional, Sérgio Moreira, assumiu a direção do sistema
‘S’ no estado para corrigir as disfunções.
Durante a intervenção, as atividades dos conselhos regionais estão
suspensas, e a gestão do Sesi e do Senai no Amapá é exercida pelo
interventor, assessorado por equipe técnica dos departamentos nacionais
do Sesi e Senai.
“Eu não estou aguentando essa situação. Vou procurar o presidente da
CNI
na segunda-feira (26), em Brasília, porque creio que ele não tem
conhecimento dessa intervenção”, acredita a presidente da Fieap, que
também chegou afirmar que as auditorias e a intervenção seriam
provocações feitas pela própria gestão.
Procurado pelo
G1, o gerente jurídico da equipe de
intervenção e advogado da CNI, Jean Alves, rebateu as afirmações da
presidente da Fieap. “A determinação da intervenção foi definida pela
própria CNI”, disse.
Em relação a contração dos professores e funcionários da escola do
Sesi, contratados pela Fieap e demitidos pela CNI, um relatório da
Controladoria Geral da União (CGU), entregue à equipe de intervenção
nesta quarta-feira, comprovou vícios no processo seletivo de contratação
dos respectivos profissionais.
“Eles participaram do processo seletivo, mas entregaram provas em
branco ou não foram no dia da avaliação. Esses se classificaram até em
posições melhores do que selecionados de forma legal”, relatou Alves.
O relatório da CGU exemplificou que da 3ª a 6ª colocação no processo
seletivo, os candidatos não fizeram a prova, ficando à frente de quem
fez, como foi o caso do 7º colocado no certame, que mesmo realizando a
avaliação, ficou atrás de quem não se submeteu ao processo. “Isso foi um
dos motivos que gerou tudo isso”, destacou o advogado da CNI.
Os direitos trabalhistas dos 80 funcionários demitidos serão efetuados, e as aulas no colégio do Sesi seguem normalmente.
Sobre o possível desconhecimento do presidente da CNI, Robson Braga,
apontado por Jozi Rocha em relação a intervenção, o gerente jurídico
contou que o presidente "tem ciência do que está contecendo pelo fato de
também presidir o conselho que decidiu intervir no sistema, no estado".
"A intervenção é apartidária, estamos aqui provisoriamente, sem
intenção de permanecer", concluiu.
http://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2013/08/presidente-diz-que-intervencao-na-federacao-das-industrias-e-politica.html