A Federação das Indústrias do Estado do Amapá (FIEAP) e o Serviço
Social da Indústria (SESI-AP) estão promovendo até o dia 29 de
janeiro, a 1ª Formação Continuada para o Ano Letivo 2010, da Escola
Visconde de Mauá.
O objetivo é promover ciclos de estudo, análise e reflexão sobre a
prática pedagógica na busca as excelência dos serviços oferecidos. O
evento é voltado para o corpo técnico e docente da Escola, nos
diversos segmentos – Educação Infantil, Ensino Fundamental e EJA.
Na pauta será discutida a avaliação do ano letivo 2009, perspectivas
para o ano letivo 2010, projeto pedagógico, plano de intervenção
pedagógica e consultoria para educação de qualidade, entre outros
assuntos.
SESI a serviço da Indústria do Amapá.
COMUNICAÇÃO SISTEMA FIEAP
FONE: 3084-8944
Objetivo deste blog é divulgar materias relacionados de interesse popular, sempre respeitando a ética e moral de quem desejo informar.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Ministério da Educação autoriza realização de concurso público para o IFAP
O Ministério da Educação (MEC) publicou nesta segunda-feira, 11/01, a Portaria nº 11, de 8 de janeiro de 2010, que estabelece a distribuição de cargos para a realização de concursos públicos para os Institutos Federais. Ao Amapá, foram reservadas 50 vagas para professores, distribuídas para os campi Macapá e Laranjal do Jari, e 68 para técnicos administrativos, 30 de nível médio e 38 de nível superior. Estes últimos, além dos campi, também terão de atender a reitoria do Instituto Federal do Amapá (IFAP).
O concurso público será executado pelo Instituto Federal do Pará, responsável pela implantação do IFAP. A publicação dos editais está prevista para a próxima semana.
Num primeiro momento, serão implantadas três turmas para cada curso, atendendo um total de 480 estudantes, 240 vagas para Macapá, nos cursos de edificações e informática, e outras 240 para Laranjal do Jari, nos cursos de secretariado e informática. Em pleno funcionamento, o IFAP atenderá 3.200 alunos no campus Macapá e 1.200 no campus Laranjal do Jari.
Serviço:
A íntegra da Portaria nº 11 pode ser visualizada no endereço http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?data=11/01/2010&jornal=1&pagina=19&totalArquivos=80.
Assessoria de Comunicação
Instituto Federal do Amapá (IFAP)
(96) 3223-5510
O concurso público será executado pelo Instituto Federal do Pará, responsável pela implantação do IFAP. A publicação dos editais está prevista para a próxima semana.
Num primeiro momento, serão implantadas três turmas para cada curso, atendendo um total de 480 estudantes, 240 vagas para Macapá, nos cursos de edificações e informática, e outras 240 para Laranjal do Jari, nos cursos de secretariado e informática. Em pleno funcionamento, o IFAP atenderá 3.200 alunos no campus Macapá e 1.200 no campus Laranjal do Jari.
Serviço:
A íntegra da Portaria nº 11 pode ser visualizada no endereço http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?data=11/01/2010&jornal=1&pagina=19&totalArquivos=80.
Assessoria de Comunicação
Instituto Federal do Amapá (IFAP)
(96) 3223-5510
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Cartão de inscrição na segunda fase do Vestibular já está disponível
No período de 11 a 13 de janeiro, estará sendo disponibilizado no Campus da UEAP o cartão de confirmação de inscrição para os candidatos do Vestibular 2010 que irão se submeter às provas da Segunda Fase. A apresentação do cartão de confirmação de inscrição é obrigatória para a realização das provas.
ESQUENTADO OS TAMBORINS
INVESTIMENTOS DO GOVERNO E PREFEITURA DE MACAPÁ NO CARNAVAL 2010
O Governo do Estado do Amapá repassou para a Liga das Escola de Samba o valor de R$ 2.526.425,00. Convênio este que foi assinado no dia 26 de novembro de 2009, para instituições carnavalescas de irão participar do Carnaval de 2010.
Confira os contemplados e os valores:
1- Liesa: 1.791.000,00
2- Bloco A Banda: 129.075,00
3- Liba: 183.000,00
4- Abloca: 148.200,00
5- Amcap: 77.000,00
6- Liga dos Blocos de Micareta e Carnaval de Santana: 60.000,00
7- VI Baile dos Artistas: 5.600,00
8- Carnaval da Fazendinha: 8.500,00
9- Carnaval do Município de Amapá: 7.000,00
10- Carnaval dos Baixinhos: 2.600,00
11- Bloco Afoxé do Formigueiro: 11.000,00
12- Bloco Caldeirão do Pavão: 7.800,00
13- Futebol à Fantasia: 7.800,00
14- Carnaval do Povo: 33.000,00
15- Bloco das Piranhas: 7.350,00
16- Baile das Máscaras: 6.000,00
17- Rainha das Rainhas: 30.000,00
18- Carnaval Afro: 4.000,00
19- Carnaval da Quarta-Feira de Cinzas: 7.500,00
Beirol Folia 2010
Data:04 de Fevereiro
Horário: 17:00h
Local: Avenida Aimorés – Beirol
Informações: 9123-2491
ORDEM DO DESFILE
1 - Embaixada de Samba Cidade Macapá
2 - G.R.I.S. Solidariedade
3 - M.I. Jardim Felicidades
4 - G.R.E.S. Piratas Estilizados
5 - G.R.E.S. Maracatu da Favela
DIA 14 DE FEVEREIRO (DOMINGO)
1 - G.R.E.S. Emissários da Cegonha
2 - G.R.C.A.S. Unidos do Buritzal
3 - A.R.E.S. Império do Povo
4 - A.R.E.S. Piratas da Batucada
5 - A.U.S.Boêmios do Laguinho
O Governo do Estado do Amapá repassou para a Liga das Escola de Samba o valor de R$ 2.526.425,00. Convênio este que foi assinado no dia 26 de novembro de 2009, para instituições carnavalescas de irão participar do Carnaval de 2010.
Confira os contemplados e os valores:
1- Liesa: 1.791.000,00
2- Bloco A Banda: 129.075,00
3- Liba: 183.000,00
4- Abloca: 148.200,00
5- Amcap: 77.000,00
6- Liga dos Blocos de Micareta e Carnaval de Santana: 60.000,00
7- VI Baile dos Artistas: 5.600,00
8- Carnaval da Fazendinha: 8.500,00
9- Carnaval do Município de Amapá: 7.000,00
10- Carnaval dos Baixinhos: 2.600,00
11- Bloco Afoxé do Formigueiro: 11.000,00
12- Bloco Caldeirão do Pavão: 7.800,00
13- Futebol à Fantasia: 7.800,00
14- Carnaval do Povo: 33.000,00
15- Bloco das Piranhas: 7.350,00
16- Baile das Máscaras: 6.000,00
17- Rainha das Rainhas: 30.000,00
18- Carnaval Afro: 4.000,00
19- Carnaval da Quarta-Feira de Cinzas: 7.500,00
Beirol Folia 2010
Data:04 de Fevereiro
Horário: 17:00h
Local: Avenida Aimorés – Beirol
Informações: 9123-2491
ORDEM DO DESFILE
1 - Embaixada de Samba Cidade Macapá
2 - G.R.I.S. Solidariedade
3 - M.I. Jardim Felicidades
4 - G.R.E.S. Piratas Estilizados
5 - G.R.E.S. Maracatu da Favela
DIA 14 DE FEVEREIRO (DOMINGO)
1 - G.R.E.S. Emissários da Cegonha
2 - G.R.C.A.S. Unidos do Buritzal
3 - A.R.E.S. Império do Povo
4 - A.R.E.S. Piratas da Batucada
5 - A.U.S.Boêmios do Laguinho
sábado, 9 de janeiro de 2010
TRAIÇÃO POR JUSTA CAUSA
> O marido chega em casa e pega a esposa, na cama, com um garotão, 35 anos,
> forte, bronzeado, cheio de amor pra dar...
> Arma o maior barraco, mas a mulher o interrompe:
> -Antes, você deveria ouvir como tudo isso aconteceu...
> Andava na rua, vi esse jovem maltrapilho, cansado e faminto.
> Então, com pena do estado dele, eu o trouxe para casa.
> Dei a ele aquela Refeição que eu havia preparado para você ontem.
> E como você chegou tarde e satisfeito com o tira-gosto do boteco... não
> comeu, e eu guardei o jantar na geladeira, lembra-se
> Ele estava descalço, então dei a ele aquele seu par de Sapatos que, como
> foi minha mãe que te deu, você nunca usou.
> Ele estava com sede e eu servi aquele vinho que estava Guardado... Para
> aquele sábado que você prometeu mas que nunca chega...
> Pois num dia é futebol, noutro poker, noutro pescaria, noutro peteca,
> noutro lavando o carro e assim por diante.
> As calças estavam rasgadas, dei-lhe aquele seu jeans Semi-novo... Ainda
> estava em perfeito estado, mas não cabia mais em você.
> Como ele estava sujo, aconselhei-o a tomar um banho....
> Fazer a barba, então dei a ele aquela loção francesa novinha que você
> nunca usou, porque acha fedorenta.
> Daí, quando ele já Ia embora, perguntou:
> Dona, tem mais alguma coisa que seu Marido não usa mais?
> - Nem respondi!!!!!!!.............
> Dei logo!!!
> (Moral da história: Mulher só trai por justa causa)
> forte, bronzeado, cheio de amor pra dar...
> Arma o maior barraco, mas a mulher o interrompe:
> -Antes, você deveria ouvir como tudo isso aconteceu...
> Andava na rua, vi esse jovem maltrapilho, cansado e faminto.
> Então, com pena do estado dele, eu o trouxe para casa.
> Dei a ele aquela Refeição que eu havia preparado para você ontem.
> E como você chegou tarde e satisfeito com o tira-gosto do boteco... não
> comeu, e eu guardei o jantar na geladeira, lembra-se
> Ele estava descalço, então dei a ele aquele seu par de Sapatos que, como
> foi minha mãe que te deu, você nunca usou.
> Ele estava com sede e eu servi aquele vinho que estava Guardado... Para
> aquele sábado que você prometeu mas que nunca chega...
> Pois num dia é futebol, noutro poker, noutro pescaria, noutro peteca,
> noutro lavando o carro e assim por diante.
> As calças estavam rasgadas, dei-lhe aquele seu jeans Semi-novo... Ainda
> estava em perfeito estado, mas não cabia mais em você.
> Como ele estava sujo, aconselhei-o a tomar um banho....
> Fazer a barba, então dei a ele aquela loção francesa novinha que você
> nunca usou, porque acha fedorenta.
> Daí, quando ele já Ia embora, perguntou:
> Dona, tem mais alguma coisa que seu Marido não usa mais?
> - Nem respondi!!!!!!!.............
> Dei logo!!!
> (Moral da história: Mulher só trai por justa causa)
Concurso Público do Tjap em Laranjal do Jari
Nos dias 20 e 21 de fevereiro de 2010 a Comissão designada pelo Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) aplicará a prova do
Concurso Público para analista e técnico judiciário na Comarca de Laranjal do Jari. A remuneração varia de R$4.449,54, para
analista judiciário, e R$ 3.420,18, para técnico judiciário.
São ofertadas cinco vagas para o cargo de analista judiciário e oito vagas para o cargo de técnico judiciário. As inscrições podem ser
feitas no Fórum da Comarca de Laranjal do Jari no período de 28 a 29 de janeiro de 2010, das 8h às 17h30. Os horários e localização da realização das provas serão publicados oportunamente. Primeiramente será aplicada a prova objetiva com 80
questões de múltipla escolha, aos candidatos aos cargos. Essa primeira etapa tem caráter eliminatório e classificatório para a prova
seguinte, de digitação, que temapenas caráter eliminatório. O candidato deve comprometer-se com a obrigação de residir no
município de Laranjal do Jari, a partir da posse.
Valor da inscrição – Analista Judiciário: R$ 83,87 (oitenta e três reais e oitenta e sete centavos)
Técnico Judiciário: R$72,87 (setenta e dois reais e oitenta e sete centavos)
Segue os links dos editais: http://www.tjap.-jus.br/images/concursos/2010/edital_001_2009_laranjal_analista.pdf( Edital nº 001/2009
Laranjal do Jari Concurso Cargo Analista Judiciário)
http://www.tjap.jus.br/images/concursos/2010/edital_002_2009_laranjal_tecnico.pdf(* Edital nº 002/2009 Laranjal do Jari Concurso
Cargo Técnico Judiciário).
Concurso Público para analista e técnico judiciário na Comarca de Laranjal do Jari. A remuneração varia de R$4.449,54, para
analista judiciário, e R$ 3.420,18, para técnico judiciário.
São ofertadas cinco vagas para o cargo de analista judiciário e oito vagas para o cargo de técnico judiciário. As inscrições podem ser
feitas no Fórum da Comarca de Laranjal do Jari no período de 28 a 29 de janeiro de 2010, das 8h às 17h30. Os horários e localização da realização das provas serão publicados oportunamente. Primeiramente será aplicada a prova objetiva com 80
questões de múltipla escolha, aos candidatos aos cargos. Essa primeira etapa tem caráter eliminatório e classificatório para a prova
seguinte, de digitação, que temapenas caráter eliminatório. O candidato deve comprometer-se com a obrigação de residir no
município de Laranjal do Jari, a partir da posse.
Valor da inscrição – Analista Judiciário: R$ 83,87 (oitenta e três reais e oitenta e sete centavos)
Técnico Judiciário: R$72,87 (setenta e dois reais e oitenta e sete centavos)
Segue os links dos editais: http://www.tjap.-jus.br/images/concursos/2010/edital_001_2009_laranjal_analista.pdf( Edital nº 001/2009
Laranjal do Jari Concurso Cargo Analista Judiciário)
http://www.tjap.jus.br/images/concursos/2010/edital_002_2009_laranjal_tecnico.pdf(* Edital nº 002/2009 Laranjal do Jari Concurso
Cargo Técnico Judiciário).
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Os 29 anos da tragédia do Novo Amapá

Texto: Edgar Rodrigues
Era noite de 6 de janeiro de 1981, quando o barco ribeirinho Novo Amapá naufragou, na foz do rio Cajari, próximo ao município de Monte Dourado (Para), levando às águas mais de 600 pessoas. Trezentas destas perderam a vida e dezenas passaram horas de pânico e desespero, imersas na água e na escuridão. A embarcação, com suporte para transportar no máximo 400 pessoas e meia tonelada de mercadoria, partiu do Porto de Santana com mais de 600 passageiros e quase uma tonelada de carga comercial. Seu destino era o município interiorano de Monte Dourado, com escala em Laranjal do Jarí. Como as viagens anteriores duravam em torno de um dia e meio, seu proprietário havia feito reformas na embarcação, instalando um motor hidráulico a mais, o que facilitaria uma maior velocidade para a embarcação.
A lista de despacho, segundo a Capitania dos Portos na época, tinha registrado cerca de 150 pessoas licenciadas pelo despachante Osvaldo Nazaré Colares. Mas na embarcação havia mais de 600 vidas. O despachante (falecido em abril de 2001) afirmou que só foi informado da tal lista após ter partido há certas choras e que a lista foi deixada sob sua mesa, quando ele estava ausente.
O comandante responsável pela viagem, Manoel Alvanir da Conceição Pinto, seguiu todas as instruções necessárias do proprietário, sobre a viagem. O proprietário era Alexandre Góes da Silva, que teve seu corpo encontrado no camarote da embarcação. Manoel Alvanir continua ainda seus serviços como marinheiro. Atualmente trabalha em algumas embarcações no Porto do Ver-O-Peso, em Belém. Poucas lembranças lhe vêm à memória quando o assunto é a tragédia do Novo Amapá.
Seu único comentário volta-se para o comando do barco. Segundo versões de sobreviventes na época, a responsabilidade pela cabine de comando estava nas mãos experientes de um garoto. “Isso é mentira. Havia, sim, um garoto ao meu lado da cabine de comando, mas não deixei por nenhum momento ele pegar na direção do barco, como andaram dizendo”, afirmou o ex-comandante que fez, da que seria uma simples viagem fluvial, o maior naufrágio da navegação brasileira até então.
Segundo a lista da Capitania dos Portos do extinto Território Federal do Amapá, cerca de 650 pessoas embarcaram no Novo Amapá e menos de 180 puderam sobreviver. “Muita gente diz que foram duzentas e poucas pessoas que sobreviveram. Isto não é verdade”, contradiz dona Creuza Marques dos Reis, sobrevivente atualmente com quase 70 anos. Dona Creua embarcou com sua filha e a neta. Somente ela e a neta de um ano e meio sobreviveram. Atualmente morando em Santana, tem como sustento um pequeno estabelecimento comercial.
Outro sobrevivente, Armando da Silva Batista, atualmente com mais de 40 anos, conta que uma das causas das inúmeras mortes que ocorreram foi o esquecimento do uso do salva-vidas. “Essas pessoas que pegaram o salva-vidas morreram quase todas, porque dormiam e não sabiam, ao acordar, como colocar o salva-vidas, e isso atrapalhou, pois não sabiam o que, de fato, estava acontecendo”, disse Batista.
Funcionário de empresa que vendia utensílios de cozinha para toda a região do Amapá, Armando viajava freqüentemente em época de pagamentos, para fazer cobranças, acompanhado do colega Edson. Momentos antes da tragédia ambos haviam se separado. "Como a área das redes estava muito quente, disse pro meu colega que ia pro andar de cima e quem sabe só retornar de manhã", relatou.
Ao ser perguntado sobre o momento em que o barco tombou, Armando contou com detalhes: "Levei uns 15 minutos pra chegar na cabine. Quando cheguei lá, ele (comandante) mandou servir um café pra mim, pro Roberto (amigo) e duas meninas do Jari. Nos 15 minutos que cheguei lá, o barco deu um tombo para um lado e um tombo para o outro. Eu ainda perguntei pro Alvanir: 'Alvanir, isso é maresia?'. Ele disse: 'Rapaz, por incrível que pareça, nessa região não dá maresia'. Quando ele terminou de falar, o barco tombou de uma vez. Foi como uma virada de carro. Inevitável."
Buscando até mesmo com precisão a hora em que o barco tombou, foi o que aconteceu com o sobrevivente Enoque Magave da Silva, hoje com 42 anos, policial militar que, minutos antes do trágico tombo, conseguiu ver as horas em seu relógio de pulso: eram 20h45min. "Eu estava com relógio no braço e vi as horas normalmente. Quando de repente senti o barco virar lentamente. Como estava deitado numa rede de frente para uma senhora, fui um dos primeiros a parar logo dentro d'água na hora do tombo", contou Magave, que no mesmo ano do desastre casou-se com sua atual esposa e ingressou na Polícia Militar.
Kátia Isabel Andrade, hoje com 40 anos, era amiga pessoal da tripulação, principalmente do comandante Manoel Alvanir e do proprietário Alexandre Góes da Silva. "Tinha feito outras viagens no barco e já conhecia o pessoal", disse Kátia, que ironizou a tragédia momentos antes de acontecer, na hora da jantar. "Eu terminei de jantar e disse pro pessoal na mesa que ia me banhar e minhas colegas disseram: 'Tu vai morrer', daí eu falei: 'Não vou não. Se não morrer agora, não morro mais'. Daí fui pro banheiro, tomei banho e voltei pro camarote (...)". Segundo Kátia, foi tão rápida a virada do barco que ela só percebeu o que estava se passando quando as luzes do camarote se apagaram e que água circulava ao seu redor.
O naufrágio foi inevitável
Após partir do Porto de Santana por volta das 14hs do dia 6 de Janeiro de 1981, a embarcação tombou aproximadamente às 21hs. A notícia da tragédia chegou à capital no dia seguinte, através de dois sobreviventes.
A verdadeira dimensão do desastre iniciou quando a imprensa local divulgou a lista de despacho na qual constava que somente 146 pessoas haviam sido liberadas para viajar, enquanto que na embarcação estiveram presentes mais de seiscentas pessoas.
Em menos de 48 horas toda a imprensa nacional voltou-se para o então Território Federal do Amapá, acompanhando todas as informações sobre a tragédia do Cajari. O jornal norte-americano New York Times do dia 10 de Janeiro publicou matéria na primeira página sob o título "Tragédia na Amazônia: 282 mortos".
Os culpados?
Segundo alguns sobreviventes, a inexperiência de um garoto na cabine de comando pode ter sido a causa do desastre. O garoto que muitos se referem pode ser José Roberto da Silva Pinto, hoje com 32 anos e que há pouco tempo trabalhava no cemitério onde foram enterradas as vítimas do naufrágio. "Isso é mentira dizerem que foi um garoto a causa principal da tragédia", disse José Roberto, criticando certas afirmações ditas na época pela imprensa.
Roberto era amigo da tripulação há tempos e, vez por outra, viajava no Novo Amapá a pedido do proprietário Alexandre Góes, que comandava a embarcação e também era dono de um estabelecimento comercial no município de Santana, onde Roberto já trabalhara. "Antes mesmo de começar a viajar no Novo Amapá, eu trabalhava num bar de que ele era dono", disse Roberto.
Alguns sobreviventes insinuaram que um banco de areia pode ter sido uma das principais causas do trágico tombo na foz do Cajari. Mas segundo certas informações que se encontram em livros geográficos e hidrográficos da época, o nível do rio Cajari era bastante alto para levá-lo a inclinar-se lentamente para as águas.
Outra grande causa - e a mais conhecida até hoje - vem a ser a superlotação da embarcação. Mas, pergunta-se: se a superlotação possa ter sido a causa do naufrágio do barco Novo Amapá, por que não tombou momentos após deixar o Porto de Santana, sabendo que havia uma grande quantidade de passageiros à bordo?
Recursos possivelmente desviados
O Governo Territorial, que tinha como chefe executivo o comandante Annibal Barcellos, buscou auxiliar moralmente, mas a ajuda foi carente, tanto que a verba enviada do Governo federal para ser utilizada no resgate dos sobreviventes e servir parcialmente na indenização dos parentes das vítimas era de 25 milhões de cruzeiros (hoje em torno de 10 milhões), mas somente cinco mil cruzeiros foram usados, no que se levou a crer num desvio, assim divulgado pelo Jornal Amapá Urgente de 12 de Janeiro de 1981.
O fato entrou em processo jurídico um ano depois quando o advogado Pedro Petcov assumiu o caso, rolando pela Justiça federal por quase 15 anos. Após a morte do advogado em 1996, o caso foi arquivado sem ter alcançado o principal objetivo: indenizar os familiares das vítimas mortas e os sobreviventes. "Todos ainda têm uma esperança de algum dia receber algo da justiça pela aquela noite trágica", disse o sobrevivente Haroldo Fernandes de Souza, hoje com 44 anos, atual funcionário do Tribunal de Contas do Estado, na esperança de receber algum dia algo que compense a fatídica noite de 6 de Janeiro de 1981.
Características da embarcação[1]
- Comprimento Externo: 25,10m
- Comprimento entre Perpendiculares: 22,50m
- Boca Máxima: 5,88m
- Boca Moldada: 5,70m
- Comprimento de Arqueação: 21,68m
- Tonelagem Bruta: 100,445 toneladas
- Tonelagem Líquida: 66,189 toneladas
Depoimento de Humberto Moreira
Meu nome é Humberto Moreira. Sou jornalista e na época do naufrágio do barco Novo Amapá eu estava na direção do departamento de jornalismo da Rádio Nacional. Um imprevisto ocorrido com o companheiro Paulo Silva, obrigou-me a embarcar no empurrador Pajé, na noite do dia 7 de janeiro, rumo ao local da tragédia.
A notícia do naufrágio chegou a Macapá no começo da tarde do dia 7 de janeiro. Mas as informações eram muito vagas. Ninguém sabia ao certo quantas pessoas estavam à bordo do barco sinistrado. Havia um boato que dava conta que a Jari Florestal mandaria uma balsa para socorrer as vítimas. O governo demorou para tomar as primeiras providências. Só quando os primeiros sobreviventes chegaram a Santana foi composta a equipe de resgate.
Na manhã do dia 8 chegamos ao local da tragédia do Novo Amapá. Parte do barco estava fora dágua, numa demonstração de que o pânico acabou matando muita gente naquela fatídica noite. O quadro era Dantesco. Dezenas e dezenas de cadáveres boiando nas águas barrentas do Cajari, no lugar chamado de Ponta dos Aruans.
No resgate estavam: o doutor Torrinha, um enfermeiro, sete soldados voluntários do exercito. três policiais militares e mais duas embarcações pequenas, (Dias e Colares)que traziam os corpos amarrados uns aos outros em adiantado estado de putrefação, exalando um odor que entranhava em nossas roupas. Um guindaste (pau de carga) manuseado pelos soldados, embarcou 192 cadáveres, empilhando-os na balsa uns sobre os outros. Foram dois dias de trabalho. Durante o dia aviões atiraram frascos de formol no rio. A substânciae foi aplicada sobre os mortos sem fazer muito efeito. Caixas de leite em pó, carne em conserva e cachaça, eram jogadas no rio para que as voadeiras apanhassem. Os tripulantes do empurrador estavam constantemente embriagados, chorando nos corredores.
Ninguém estava preparado para um choque daquele tamanho.
O comandante Marapanin, totalmente transtornado, falava em atracar direto em Santana. Manoel Antônio Dias, na época secretário de obras do TFA, pediu a mim e ao médico Torrinha para não deixar o comandante trazer a balsa direto para para o porto, onde milhares de pessoas esperavam nossa chegada.
A Rádio Nacional teve um papel importante, informando o andamento do resgate. Utilizando o equipamento de comunicação da embarcação consegui passar mais de trinta flashes. Conosco um motorista que perdeu toda a família, procurava identificar seus entes queridos. Tudo em vão.
No dia 10 de janeiro fundeamos na entrada do Rio Matapi, onde os corpos foram colocados nos caixões. Uma equipe veio do porto para auxiliar nos trabalhos. Mas ao chegar perto da balsa, muitos quiseram pular no rio, tal era a intensidade do odor e ainda devido o quadro horripilante dos corpos empilhados uns sobre os outros.
Quando saltei em terra permaneci alguns minutos perambulando pela área do porto, até que alguém me levou a uma barraca, onde fui imunizado. Um carro da Radiobrás me trouxe para Macapá. Ao chegar na minha casa fiquei mais de uma hora tomando banho. Porém parecia que o mau cheiro continuava presente. Ele estava dentro de mim, nos meus pulmões. Por fim consegui dormir, depois de 72 horas sem pregar os olhos. As imagens, infelizmente continuam gravadas em minha memória. Trata-se da reportagem que eu nunca gostaria de ter feito. (Humberto Moreira)
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